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Há certas e determinadas coisas na vida que eu, como ser humano, compreendo mas não aceito!

A morte...
A perda de alguém...
Não consigo entender porque é que tem de se sofrer para morrer... porque é que tem de se chegar um limite irracional para partir?
E o turbilhão de sentimentos e emoções que espreitam a cada esquina no nosso ser...?
Como não aceito e não sei como lidar com tudo isto resolvi: Não pensar! A mais tola e despropositada das estratégias: Não pensar! Finjo perante mim e os outros que esqueci e não penso, não sofro, não anseio! Mas quando, teimosamente, tudo vem à tona... choro! Em silêncio e sózinha! E deixo, por instantes, que tudo volte. Deixo, por instantes, que tudo me atormente e traga o pensamento inevitável: E se...? E se eu pudesse ter feito algo diferente? E se eu não tivesse dito isto ou aquilo? E se eu tivesse tentado aquilo ou aqueloutro? E se...?
E pergunto-me também como será? O meu aniversário? O primeiro Natal de toda a minha vida sem a ter por perto? Como será? Por isto e por muito mais, que não sei, nem consigo expressar por palavras, resolvi Não pensar! Guardo comigo apenas as boas recordações e Não penso! Não deixo que as ultimas imagens atormentem o meu pensamento.... e Não penso! Escondo-me atrás de uma triste, e por vezes falsa, alegria. E por isso choro em silêncio e sózinha...
E depois? Resta-me o tempo... esse individuo que dizem curar tudo. Pode curar, mas certamente não faz esquecer... Pode curar... mas certamente não apaga a dor e a memória!
Por isto e por muito mais, Não penso e dedico-me aqueles que precisam de mim, mais do que nunca! Não penso e tento procurar Naqueles que sei que estão sempre lá o aconchego...
5 de Abril de 2008